Saúde mental e saúde sexual: dois lados da mesma moeda

Carolina Araújo
Artigo de opinião

Casal de mãos dadas junto a uma janela

De tantas áreas que sabemos saírem afetadas pelas dificuldades psicológicas que vamos enfrentando, há uma que todos calamos: a sexualidade. Não falamos de capricho, mania ou desculpas. Falamos sim da nossa saúde: a saúde sexual. Os estudos são claros: perturbações como a depressão e a ansiedade afetam significativamente a forma como nos relacionamos sexualmente, quer no que diz respeito à excitação, ao desejo quer ao nosso nível de satisfação sexual.

Se a depressão nos pode levar a sentir uma diminuição do desejo e interesse sexual e dificuldades em atingir o orgasmo, a ansiedade pode alimentar o medo de falhar e preocupações excessivas quer com fatores relacionados ao momento, quer com outros temas que não querem calar na hora do prazer. 

Também a medicação utilizada para auxiliar ao tratamento destas perturbações pode ter impacto a nível sexual, mas calma, não desesperes! O mais importante é abordares esta questão em consulta e, junto do profissional de saúde, negociarem um tratamento que seja mais ajustado às tuas necessidades. Lembra-te: o objetivo é promover o teu bem-estar.

Apesar de ser muito afetada pela perturbação mental, a sexualidade pode ser uma aliada muito importante no tratamento (e na vida em geral). Não te esqueças: sem saúde sexual, não temos saúde. Investir na nossa sexualidade é investir na nossa saúde, no nosso bem-estar, nas nossas relações. É nela que te podes reecontrar, explorar, relaxar- ser mais o TU que queres ser. Além disso, a ciência também já comprovou inúmeros benefícios para a nossa saúde física.

Eu sei que pode parecer desconfortável, mas procura falar desta área tão importante da tua vida com os profissionais de saúde que te acompanham: tu importas e por isso o teu bem-estar sexual também! Dá-te essa oportunidade!