“Terapia de Conversão”: ciência ou preconceito?

Tomé de Melo
Artigo de opinião

Coração com as cores do arco-íris partido ao meio, com uma mão a segurar uma das metades

As “Terapias de Conversão” são baseadas na crença de que todas as pessoas que não são heterossexuais e/ou cisgénero estão erradas e devem alterar aquilo que são. Estas práticas utilizam técnicas de aversão, como eletrochoques, medicação para induzir náuseas e vómito, e outras ações desumanas, como a privação alimentar, entre outras. Estas “terapias” não têm qualquer fundamento científico. Pelo contrário, são extremamente prejudiciais para quem as vive.

Se ninguém acorda a escolher ser heterossexual, será que alguém acordaria a escolher ter uma orientação sexual que lhe traria riscos, como por exemplo a prisão e a morte, em alguns países? Ou o medo de andar na rua de mãos dadas com a pessoa que amamos?

O preconceito, o estigma social e a violência, por sua vez, estão associados ao desenvolvimento de patologias psicológicas. Tendo em conta as práticas utilizadas nas

“Terapias de Conversão” e as crenças que têm por base, estas práticas promovem fatores que podem trazer sofrimento psicológico severo. A evidência científica demonstra que, entre outras consequências, a ideação suicida, o planeamento do suicídio, a depressão e a ansiedade aumentam de forma significativa em quem é submetido a estas práticas. Além disso, é criada uma autoimagem negativa e as relações com as pessoas à sua volta são também afetadas negativamente. As consequências são graves e penosas.

Tendo isto em conta, será que fará sentido legalizar uma prática sem qualquer fundamento científico a favor, que aumenta o sofrimento das pessoas e cria espaços de violência, preconceito e estigma? Lutamos por uma sociedade mais saudável, mais inclusiva, menos preconceituosa e mais empática.

Há espaço para todos sermos autênticos e felizes.