Um olhar mais empático

Ana Rita Pires
Artigo de opinião

Mulher de gorro amarelo faz um coração com as mãos à frente do rosto

Refletindo sobre o Natal e o período festivo que vivemos no final do ano, não é possível ficar indiferente a tantas emoções que esta época nos traz. Se por um lado vivemos uma época de solidariedade, de ligação e proximidade, também é verdade que as expectativas irreais, a comparação com os outros e os inevitáveis momentos de solidão aportam a esta época sentimentos contraditórios. Se há quem viva estes dias como uma oportunidade de fortalecimento dos laços sociais e familiares, também há quem se sinta só, passe por dificuldades financeiras e sentimentos de não pertença.

A investigação em psicologia diz-nos que os períodos festivos nos deixam mais vulneráveis à discrepância entre o que desejamos e o que realmente vivemos, as emoções positivas podem intensificar-se e as negativas como a tristeza, a frustração e o stress também.

 

O que podemos fazer para ultrapassar estas fases com mais tranquilidade?

– Ajustar as expectativas: definir objetivos realistas e comunicar as necessidades de forma clara;

– Cuidar dos limites: escolher os convívios a que queremos comparecer, as pessoas com quem queremos estar e o tempo a permanecer; 

– Utilizar as redes sociais de forma consciente e cuidada: privilegiando contactos e interações significativas e reduzindo o tempo passado a consumir conteúdos que promovem comparações;

– Manter rotinas de autocuidado: regular o sono, a alimentação, as atividades de lazer e a atividade física favorecem a saúde mental e a estabilidade;

– Dar sentido: se nos sentimos mais sozinhos, podemos procurar atividades de caráter social e comunitário e fortalecer ligações significativas. Os estudos indicam que o bem-estar emocional está mais associado à qualidade dos laços do que à quantidade dos mesmos;

– Permitir sentir – todas as emoções são válidas, tristeza, saudade, alegria, frustração, todas as emoções podem coexistir. Viva-o com gentileza consigo próprio, cada pessoa tem a sua história, a sua é única e especial.

 

Um olhar mais empático, na época festiva, ou fora dela, pode ajudar quem se sente mais sozinho, mas traz também conexão emocional e bem-estar a quem cuida. A época pós-festas é também uma altura em que os sentimentos de isolamento, desconexão e solidão se intensificam pondo em risco a saúde mental de mais pessoas. É nesse momento em que as luzes se apagam que a tristeza pode parecer mais assustadora. 

Numa altura festiva e depois das festas, vamos olhar para nós e para o outro com mais empatia, e sempre que necessário, procurar ajuda de um profissional de saúde.