Resoluções de Ano Novo: motivação ou frustração?
Ana Félix
Artigo de opinião
🔗 Artigo original: Viral/SAPO – “Resoluções de Ano Novo: fonte de motivação ou de frustração? E como cumpri-las?”

Este texto nasce a partir do artigo “Resoluções de Ano Novo: fonte de motivação ou de frustração? E como cumpri-las?”, publicado no Viral/SAPO e escrito pela Filipa Traqueia, no qual tive a oportunidade de contribuir enquanto psicóloga clínica.
Todos os anos, a chegada de um novo ano traz consigo um movimento quase automático de balanço e de promessa. Promessas de mudança, de recomeço, de “agora é que vai ser”. Mas a verdade é que, para muitas pessoas, as resoluções de Ano Novo acabam por se transformar mais em frustração do que em motivação.
O artigo começa precisamente por abordar esta ambivalência: as resoluções podem ser um motor inicial de esperança, mas também uma fonte de culpa quando não são cumpridas.
O entusiasmo inicial… e o que acontece depois
Tal como é referido no artigo, vários estudos mostram que a maioria das pessoas mantém as suas resoluções apenas durante as primeiras semanas do ano. Com o passar do tempo, a motivação inicial tende a diminuir e os antigos hábitos voltam a instalar-se.
Na minha contribuição para este artigo, sublinhei que, no início do ano, é comum existir motivação e crença de que as coisas vão mudar. No entanto, essa mudança não acontece apenas porque o calendário muda, ela depende do compromisso pessoal que cada pessoa assume consigo própria.
Metas demasiado grandes, expectativas demasiado rígidas
A Filipa Traqueia refere no artigo que muitas resoluções falham por serem demasiado ambiciosas ou pouco realistas. Quando as metas são vagas ou excessivamente exigentes, o risco de frustração aumenta.
Partilhei também que cada pessoa reage de forma diferente às falhas: para algumas, um deslize é suficiente para desistir; para outras, é apenas um ajuste necessário. Esta diferença está muito ligada à forma como lidamos com o erro e com a autoexigência.
No início do ano existe, geralmente, muita motivação e a crença de que as coisas vão mudar, mas essa mudança vai depender do compromisso pessoal que cada pessoa assume consigo própria.
Conselhos práticos para definir e manter resoluções
Com base no que partilhei no artigo e na minha prática clínica, deixo alguns conselhos que podem ajudar a tornar as resoluções mais sustentáveis:
Define objetivos realistas e específicos
Metas vagas tendem a gerar frustração. Quanto mais concreto for o objetivo, mais fácil será acompanhá-lo.Divide grandes mudanças em passos pequenos
Mudanças graduais são mais fáceis de integrar no dia a dia e aumentam a sensação de competência.Aceita que falhar faz parte do processo
Um erro não invalida todo o percurso. Ajustar faz parte da mudança.Assume um compromisso contigo, não uma obrigação
A mudança é mais sustentável quando nasce de escolha e não de imposição.Valoriza a consistência, não a perfeição
Pequenas ações repetidas ao longo do tempo têm mais impacto do que esforços intensos e pontuais.
A mudança é um processo, não um momento
Esta ideia é também reforçada por Miguel Ricou, presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica e da Saúde da Ordem dos Psicólogos Portugueses, citado no artigo. Ricou destaca que a mudança não acontece num dia específico, mas constrói-se de forma gradual, à medida que novos comportamentos se tornam rotina.
O artigo refere ainda a importância do contexto: partilhar objetivos com pessoas que apoiam pode ajudar, enquanto ambientes críticos ou desmotivadores podem dificultar o processo.
Mais do que resoluções, compromisso
As resoluções de Ano Novo podem ser um ponto de partida válido, desde que não sejam vividas como uma prova de valor pessoal. Quando encaradas com flexibilidade e consciência, podem transformar-se num convite à mudança possível – aquela que se constrói um dia de cada vez.
Este texto nasce do artigo “Resoluções de Ano Novo: fonte de motivação ou de frustração? E como cumpri-las?”, escrito por Filipa Traqueia e publicado no Viral/SAPO (dez 2022) – um artigo para o qual tive a oportunidade de contribuir enquanto psicóloga clínica.