Jogar videojogos: benefícios e sinais de alerta

Joana Dias
Artigo de opinião

Pessoas sentadas no sofá a jogar videojogos com comandos na mão

Os videojogos sempre foram apelativos como forma de entretenimento. Desde os anos 90, tornaram-se parte do quotidiano de muitas famílias e, hoje, grande parte dos adultos na casa dos 30 anos ainda mantém este hobby. Cresceram com eles, e muitos passaram o gosto aos filhos, o que torna o fenómeno ainda mais presente no dia a dia das crianças e adolescentes.

Apesar da sua popularidade, a imagem dos videojogos é muitas vezes negativa. Frequentemente associados ao isolamento ou ao sedentarismo, surgem nas notícias como responsáveis por problemas de comportamento, de instabilidade emocional ou rendimento escolar. No entanto, a ciência mostra que a realidade é mais complexa: quando usados de forma equilibrada, os videojogos podem trazer diversos benefícios, tanto cognitivos como emocionais e sociais.

Ainda com dúvidas? 

Estudos indicam que, por exemplo, os videojogos de ação exigem que o jogador divida a atenção entre múltiplos estímulos, desenvolvendo capacidades de foco, rapidez de reação e flexibilidade cognitiva (1). Já no campo emocional, a investigação mostra que os videojogos podem ser uma ferramenta poderosa para o bem-estar (2). Para além de promoverem emoções positivas que ajudam a reduzir o stress e a ansiedade, também ensinam os jovens a lidar com frustrações e falhas, fortalecendo a resiliência e a capacidade de autorregulação. Como muitos jogos exigem trabalho em equipa para alcançar o sucesso, também promovem competências sociais e favorecem a criação de laços de amizade.

Mas, como em qualquer atividade, é essencial distinguir o uso saudável do excessivo. Eis alguns sinais de alerta que merecem atenção:

  • Isolamento social: evita conviver com família e amigos para ficar a jogar.
  • Negligência das responsabilidades: queda no desempenho escolar, falta de interesse em atividades extracurriculares.
  • Irritabilidade excessiva: mostra raiva ou frustração quando os pais pedem para desligar ou quando não pode jogar.
  • Perda de controlo: passa muito mais tempo do que o planeado a jogar e tem dificuldade em parar.
  • Alterações no sono e na rotina: ficar até tarde a jogar, acordar cansado ou faltar a compromissos por causa do jogo.
  • Uso para fugir do dia-a-dia: recorrer ao jogo constantemente para lidar com tristeza, ansiedade ou conflitos, como se se quisesse abstrair da realidade.

O papel dos pais e educadores é, por isso, fundamental. A questão não passa por proibir, mas por acompanhar e orientar. Definir limites adequados à idade, estimular atividades variadas, mostrar interesse pelos conteúdos dos jogos e supervisionar se o ambiente online é seguro são estratégias simples, mas eficazes. Mais do que impor regras, trata-se de criar equilíbrio e diálogo.

Se, mesmo com estes cuidados, o jogo começar a ter impacto negativo no bem-estar, no rendimento escolar ou nas relações sociais, procurar ajuda de um psicólogo pode ser essencial. O acompanhamento psicológico profissional permite compreender o que está por detrás da utilização excessiva, trabalhar competências de autorregulação, orientar a família no estabelecimento de limites saudáveis e oferecer estratégias alternativas para lidar com as dificuldades emocionais.

(1) Bediou, B., Adams, D. M., Mayer, R. E., Tipton, E., Green, C. S., & Bavelier, D. (2018). Meta-analysis of action video game impact on perceptual, attentional, and cognitive skills. Psychological Bulletin, 144(1), 77–110. https://doi.org/10.1037/bul0000130

(2) Granic, I., Lobel, A., & Engels, R. C. M. E. (2014). The benefits of playing video games. American Psychologist, 69(1), 66–78. https://doi.org/10.1037/a0034857